Há 107 anos, um outro acidente aéreo ligando Brasil e França

A notícia do desaparecimento de um Airbus A330-200 da Air France, que fazia um voo entre Rio de Janeiro e Paris neste domingo, 31 de maio, deixou o mundo apreensivo e consternado.

Nesses momentos, sempre lembramos de outros acidentes do gênero. No entanto, pouca gente lembrará de um acidente aéreo, nos primórdios da aviação, que também ligou Brasil e França: a queda do Paz, em 12 de maio de 1902.

Naquele acidente, faleceram o aeronauta brasileiro Augusto Severo e seu mecânico, o francês Georges Sachet. Em seu livro, O Pioneiro Esquecido, Augusto Fernandes descreve o acontecimento:

“(…) após a manobra final, sobe dócil batendo-se contra o vento. Ei-lo no ar, tomando altura aos poucos. Há emoção nos rostos, frente aquele gigante dominando o espaço.

Os convidados, os curiosos, os amigos de Severo correm para os automóveis. Querem acompanhar o vôo à Issy-les-Moulineaux. O Pax passa sobre o casario adormecido de Montparnasse. Está aproximadamente a 400 metros de altura. Visíveis, destacados contra a luz da manhã, movem-se os seus tripulantes. Severo na frente da barquinha; Sachet atrás, junto ao motor da responsabilidade, o propulsor.

Não durariam muito aqueles minutos de sensação e de glória. Uma chama no espaço e ouve-se a explosão. O Pax, entre labaredas, desce e vem cair na Avenida du Maine, trazendo consigo morte e luto.

De todos os lugares correm automóveis, ciclistas, multidão, polícia. Ouvem-se apitos.

O acidente foi noticiado por todos os jornais europeus e brasileiros. A consternação uniu os dois países. O corpo de Severo foi trasladado ao Rio de Janeiro e, posteriormente, em setembro de 1904, ganhou mausoléu próprio. Em 12 de maio de 1913, nove anos após o acidente, foi inaugurado em Natal (RN) uma estátua de Augusto Severo, que nasceu em Macaíba, cidade próxima à capital potiguar. O aeroporto de Natal, construído durante a Segunda Grande Guerra, leva o nome do pioneiro. No mesmo ano, no dia 10 de agosto, uma placa foi afixada em um prédio na Avenue du Maine, em Paris, homenageando os Severo e Sachet.

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