Eles nos deixaram em 2011

Vamos ao momento da saudade. Artistas, escritores e pensadores, que enriquecem nossas vidas e nos deixam meio órfãos quando se vão. Esta é a primeira parte da lista das personalidades do meio artístico-cultural brasileiro que perdemos este ano. São 12 nomes que sempre lembraremos. (veja também a segunda parte)

John Herbert
Ator, produtor e diretor. Atuou na tevê, no teatro e no cinema. Nasceu em São Paulo no dia 17 de maio de 1929. Foi casado por 20 anos com a atriz Eva Wilma, com quem teve dois filhos e protagonizou o seriado Alô, Doçura! nas décadas de 1950 e 1960. Na tevê e no cinema, fez mais de cem trabalhos. Era casado, há 30 anos, com Claudia Librah. Faleceu aos 81 anos, no dia 26 de janeiro, de enfisema pulmonar.

Geórgia Gomide
Elfriede Helene Gomide Witecy nasceu em São Paulo no dia 17 de agosto de 1937. Muito conhecida por representar tipos italianos, Geórgia era, na verdade, descendente de alemães. Pioneira da tevê no Brasil, atuou em mais de 40 produções durante quatro décadas. Começou sua carreira em 1963, na TV Tupi, na novela Moulin Rouge, a Vida de Toulouse-Lautrec. Em 1966, junto a Vida Alves, protagonizou o primeiro beijo homossexual na tevê brasileira em Calúnia (TV Tupi). Morreu aos aos 73 anos, no dia 29 de janeiro, vítima de uma infecção generalizada.

Nildo Parente
Ator de teatro, tevê e cinema, Nildo Parente nasceu em Fortaleza (CE) em 1934. Em mais de 40 anos de carreira, atuou em quase cem produções de tevê e cinema. Na tevê, ele participou do elenco de novelas como Anos rebeldes, O dono do mundo, Paraíso tropical, América e Senhora do Destino. No cinema, trabalhou em clássicos como Memórias do Cárcere (1984), Gabriela, Cravo e Canela (1983) e São Bernardo (1971). Seu último trabalho em cinema foi em 2010, como um juiz, em Chico Xavier. Faleceu aos 76 anos, no dia 31 de janeiro, no Rio de Janeiro, depois de um mês hospitalizado por conta de um AVC.

Isabella Cerqueira Campos
Atriz de cinema, televisão e teatro, nasceu em Novo Mundo, na Bahia, no dia 27 de julho de 1938. Foi protagonista do filme Capitu, dirigido por Paulo Cezar Saraceni, um marco do Cinema Novo. Antes de se tornar atriz, trabalhou como comissária de bordo e foi modelo em Paris. Faleceu aos 72 anos, no dia 2 de fevereiro, de câncer de mama.

Benedito Nunes
Professor, filósofo, crítico literário, ensaísta, escritor premiado, Benedito José Viana da Costa Nunes nasceu no dia 21 de novembro de 1929 em Belém (PA). Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará (depois integrada à Faculdade Federal do Pará). Em 1989, publicou O Drama da Linguagem – Uma Leitura de Clarice Lispector, ensaio literário sobre a escritora. Em 2010, por A Clave do Poético, recebeu o prêmio Jabuti na categoria Crítica Literária e o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Faleceu aos 81 anos, no dia 27 de fevereiro, no Hospital Beneficência Portuguesa de Belém (PA), onde estava internado há dez dias.

Moacyr Scliar
Médico e escritor, nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre. Seu primeiro livro foi Histórias de médico em formação (1962). Publicou mais de 70 livros de diversos gêneros literários. Escrevia para os jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo. Era membro da Academia Brasileira de Letras desde 2003. Ganhou três vezes o Prêmio Jabuti. Faleceu aos 73 anos, no dia 27 de fevereiro, por falência múltipla de órgãos devido às consequências de um acidente vascular cerebral (AVC).

Aracy Guimarães Rosa
Foi a segunda mulher do escritor João Guimarães Rosa. Prestou serviços ao Itamaraty no Consulado Brasileiro em Hamburgo e é conhecida por ter ajudado muitos judeus, que fugiam do Holocausto, a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. Quando Guimarães Rosa foi para a Alemanha, deixou mulher e duas filhas no Brasil. Conheceu Aracy e se apaixonaram. Voltaram juntos ao Brasil e, em 1942, casaram-se por procuração, no México, já que ainda não existia o divórcio aqui. Ficaram juntos até a morte dele, em 1967. Durante os quase 30 anos de romance, o escritor publicou toda a sua obra. O livro Grande Sertão: Veredas foi dedicado a Aracy. Ela sofria do Mal de Alzheimer e faleceu aos 102 anos, no dia 3 de março.

Lula Cortês
Cantor, compositor, artista plástico e escritor. O pernambucano Luiz Augusto Martins Côrtes nasceu no dia 9 de maio de 1949, no Recife. Uma de suas obras mais famosas foi o disco Paêbirú, gravado na década de 1970 com Zé Ramalho. Foi um dos pioneiros na mistura do rock com ritmos nordestinos. Faleceu aos 61 anos, em 26 de março, vítima de um câncer na garganta.

Luciana de Moraes
Era filha do poeta e compositor Vinicius de Moraes com sua terceira esposa, Lila Bôscoli. Era também sobrinha de Ronaldo Bôscoli. Foi encontrada morta, aos 55 anos, na manhã do dia 28 de abril, em frente a calçada do prédio onde morava. Segundo informações policiais, ela teria cortado os pulsos e pulado do terceiro andar.

José Renato Pécora
Zé Renato nasceu em São Paulo, em 1926. Foi fundador e idealizador do Teatro de Arena. Dirigiu o espetáculo Eles Não Usam Black-Tie, considerado um marco do teatro brasileiro. Foi aluno da primeira turma da Escola de Arte Dramática da USP, tendo se formado em 1950. Concentrado na função de diretor, não atuava havia 55 anos, até aceitar o convite para integrar o elenco de 12 Homens e uma Sentença, seu último trabalho. Faleceu aos 85 anos, no dia 2 de maio, de infarto.

Abdias do Nascimento
Pintor, escritor, jornalista, poeta, ator, político e ativista do movimento negro. Nasceu no dia 14 de março de 1914 na cidade de Franca (SP). Foi deputado federal e suplente de Darcy Ribeiro no Senado, tendo assumido a cadeira entre 1991 e 1992 e de 1997 a 1999. Começou a militar na década de 30, quando ingressou na Frente Negra Brasileira. Quando o regime militar promulgou o Ato Institucional nº 5, Abdias estava nos Estados Unidos e foi impedido de retornar ao Brasil. Seu exílio durou 12 anos. Em 1994, fundou o Teatro Experimental do Negro. Em 2010, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por sua defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes. Recebeu honrarias dos Estados Unidos, Nigéria, México, Unesco e ONU. No Brasil, recebeu a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador, a honraria mais alta outorgada pelo governo brasileiro. Faleceu aos 97 anos, no dia 23 de maio, no Rio de Janeiro, de insuficiência cardíaca.

Wilza Carla
Vedete, atriz e humorista. Nasceu no dia 29 de outubro de 1935, em Niterói (RJ). Começou a carreira artística como vedete do teatro de revista e, depois, fazendo papéis sensuais e cômicos em filmes da época das chanchadas. No cinema, participou de mais de 40 produções. Na tevê, seu trabalho mais conhecido foi como Dona Redonda na novela Saramandaia (1976). A geração dos anos 1980 acostumou-se a vê-la como jurada no programa de calouros de Sílvio Santos. Ainda jovem, Wilza Carla começou a ter vários problemas de saúde, que foram se agravando com a obesidade. Era diabética e tinha problemas cardíacos. Em1994, sofreu um AVC e quase não saiu da cama desde então. Quem a viu nos anos 1950, tem outra lembrança: a de uma mulher linda, de corpo escultural. Faleceu em São Paulo, aos 75 anos, no dia 19 de junho. Foi sepultada no Cemitério do Caju, no Rio.

Veja também a segunda parte

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