O branqueamento de Machado de Assis

Em setembro, a Caixa Econômica Federal começou a veicular um comercial em comemoração aos seus 150 anos. Nele, a atriz Glória Pires narra parte da história do escritor Machado de Assis, que teria sido correntista no banco. O detalhe é que o mulato Machado apareceu branco no comercial. As reações foram imediatas, inclusive por parte de outros órgãos do Governo Federal. A exibição foi suspensa, a Caixa reconheceu o erro e, no mês seguinte, lançou uma nova versão com Machado de Assis representado por um ator negro e apresentado por Ailton Graça, outro ator negro, enfatizando que a mudança era uma questão de respeito ao povo brasileiro.

Relembre as principais notícias sobre a polêmica da mudança de cor de Machado de Assis:

Ator branco faz escritor mulato em comercial e causa polêmica
Caixa se explica após “branquear” Machado de Assis em comercial
A Caixa Econômica Federal, a política do branqueamento e a poupança dos escravos
Caixa Econômica tira do ar propaganda com Machado de Assis branco
Após críticas, Caixa troca ator em propaganda com Machado de Assis

Hebe na “Playboy”

Revista Playboy, fevereiro de 1987: “(…) com seu bom humor, suas gafes históricas, sua malícia ou sua aparente inocência de Branca de Neve que chora e ri à toa, Hebe Camargo tem entre seus orgulhos o de ter apresentado Chico Buarque pela primeira vez na TV e o de ter aberto câmaras e microfones, em plena censura, para perseguido políticos, como Plínio Marcos.

Hebe havia estreado no SBT há menos de um ano quando deu esta entrevista em que fala sobre amores secretos, cantadas de políticos (até de presidente!), sexo e, claro, televisão.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui e baixe o arquivo em PDF.

Hebe em “Realidade”

Depois que voltei do Vietnam com certa marcada guerra, fui levado a comparecer a vários programas de televisão. Quando me convidaram para o Hebe, um amigo se adiantou:
– Recuse, recuse. Ela vai acabar dizendo que sua perna “é uma gracinha”…
O pessoal da revista achou eu devia ir, eu fui. (…) estava pronto para engrossar à primeira provocação.”

É assim que José Hamilton Ribeiro inicia sua matéria sobre Hebe Camargo na edição 44, de novembro de 1969, na revista Realidade. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui e baixe o arquivo em PDF.

História da Televisão Brasileira

O Jornal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) lançou uma edição especial em homenagem aos 60 anos da televisão no Brasil.  Em suas 60 páginas, há matérias com o militantes da memória da televisão;  umperfil em memória do jornalista Fernando Barbosa Lima; entrevistas com Aguinaldo Silva (autor de telenovelas de sucesso), Léo Batista (apresentador esportivo com 53 anos de profissão) e Sandra Passarinho; a história das pioneiras TV Tupi, Record, Excelsior; e perfis das principais TVs abertas atuais.

Clique aqui para acessar a versão eletrônica da edição.

A Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, publicou vários livros sobre a história da televisão brasileira. Eles podem ser baixados na íntegra pelos seguintes links:

TV Tupi, de Vida Alves
TV Tupi do Rio de Janeiro, de Luis Sérgio Lima e Silva
Gloria in Excelsior, de Álvaro de Moya
Glória in Excelsior – 2ª edição (revista e ampliada), de Álvaro de Moya
Rede Manchete – Aconteceu virou História, de Elmo Francfort
Av. Paulista, 900 – A História da TV Gazeta, de Elmo Francfort

“De Lá Pra Cá” fala sobre a Lei da Anistia

O De Lá Pra Cá desta segunda, 8 de fevereiro, relata a luta do povo brasileiro para conseguir de volta seus direitos, além de toda a trajetória do projeto de lei até à sanção final, passando pelas articulações políticas e o apelo da população pelas “Diretas Já”. E mostra ainda que muitos dos exilados que retornavam, vinham com novas propostas, como preocupações ambientais e direitos das minorias, imprimindo uma nova agenda política aos desafios que o Brasil necessitava enfrentar.

A Lei da Anistia foi sancionada em 28 de agosto de 1979, pelo então presidente João Batista Figueiredo. Por meio dela, foi possível o retorno ao Brasil dos exilados da ditadura.

O programa também explica a palavra “anistia” cujas raízes vêm do grego amnestia, que significa esquecimento, e no português define o ato jurídico do Estado em perdoar pessoas ou grupos pela prática de atos considerados delituosos, sobretudo aqueles de natureza política.

A Lei de Anistia demorou para ser sancionada e mobilizou todo o país que queria dar um basta à ditadura imposta pelo regime militar.

Participam do programa, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o historiador Daniel Aarão Reis, a jornalista Wanda Figueiredo, a historiadora Isabel Lustosa, o deputado federal Fernando Gabeira (PV/RJ) e o compositor Paulo César Pinheiro.

De Lá Pra Cá vai ao ar hoje, às 22h, na TV Brasil e também pode ser assistido pela web nos seguintes endereços: www.tvbrasil.org.br e www.tvu.ufrn.br (em tela cheia).

O programa será reprisado no próximo domingo, 14 de fevereiro, às 18h.

Nara Leão no “De Lá Pra Cá”

O programa De Lá Pra Cá desta segunda, 1º de fevereiro, relembra a história da considerada musa da Bossa Nova, a cantora Nara Leão, que foi também uma artista engajada na luta contra a ditadura. Imagens marcantes de sua vida estarão no programa, que mostrará um pouco das facetas dessa cantora que morreu precocemente há 20 anos.

Aos 12 anos, Nara teve suas primeiras aulas de violão. Mais tarde, ficou conhecida como a grande dama da música brasileira. Uma das principais personagens de um momento em que a música popular adquiria novas formas e se tornou conhecida internacionalmente, ela se destacou como intérprete. Ao mesmo tempo, abriu caminhos para Chico Buarque, Martinho da Vila, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Maria Bethânia, Fagner entre outros. E surpreendeu a todos nos anos 60, ao resgatar o samba de morro no seu disco de estreia Nara.

O programa ouviu o biógrafo Cássio Cavalcante, escritor cearense, que pesquisou oito anos para lançar o livro Nara Leão – A Musa dos Trópicos. Erasmo Carlos, que conviveu com a cantora, vai contar casos da época da Jovem Guarda e dá uma canja com a música Meu Ego, de sua autoria, gravada por Nara Leão. Outra entrevistada é Fernanda Takai que, a convite do jornalista Nelson Motta,  gravou um CD só com sucessos de Nara Leão.

O programa convidou ainda Carlinhos Lyra. que comentará o clima daqueles anos 50 e da vontade da rapaziada de Copacabana de inventar uma música nova e condizente com os tempos que o Brasil vivia. O compositor e cantor Martinho da Vila também vai falar sobre Nara.

De Lá Pra Cá vai ao ar hoje, às 22h, na TV Brasil e também pode ser assistido pela web nos seguintes endereços: www.tvbrasil.org.br e www.tvu.ufrn.br (em tela cheia).

O programa será reprisado no próximo domingo, 7 de fevereiro, às 18h.

Zabé da Loca e Zé de Cazuza no “Metrópólis”

O programa Metrópolis, da TV Cultura, exibe, a partir desta segunda, 1º de fevereiro, às 21h35, na TV Cultura, uma série de reportagens sobre a cultura popular da cidade de Monteiro, sertão do Cariri, na Paraíba.

O programa apresenta a origem da cidade histórica, com casarios de mais de cem anos e depoimentos marcantes de personagens locais pitorescos. Caso de Zabé da Loca (foto), uma mulher que morou durante 25 anos dentro de uma pedra e criou seus filhos praticamente sem recursos. Aos sete anos, aprendeu a tocar pífano e hoje faz shows pela cidade.

A matéria traz outra figura bem conhecida na região: Zé de Cazuza, considerado o computador do Nordeste. Ele guarda em sua memória mais de 20 mil poemas que só existem no “hd de seu cérebro”. Lenda viva na região, Zé declama poemas, faz prosa e conta histórias da cidade de Monteiro. Já editou um livro – Poetas Encantadores –, no qual ele colocou poesias e declamações dos principais poetas do sertão do Cariri.

Informações da TV Cultura

“Profissão Cartunista” começa com Henfil

A estreia da série Profissão Cartunista na TV Brasil será nesta quarta, 6 de janeiro, às 22h (horário de Brasília). O primeiro episódio é um documentário de 52 minutos sobre a vida e obra do jornalista e cartunista Henfil, realizado 14 anos após sua morte. O programa mostra a carreira do artista desde 1964, relembra seu trabalho em O Pasquim e no Jornal do Brasil, examina seus livros, sua passagem pelo teatro e seu filme Tanga – Deu no New Yorque Times.

O documentário é narrado pelo próprio Henfil, graças a arquivos sonoros garimpados e remixados. Entre os entrevistados estão personalidades que trabalharam e viveram com Henfil nos diversos momentos de sua carreira. Entre eles, Zuenir Ventura, Miguel Paiva, Ziraldo, Laerte, Jaguar, Tarik de Sousa e Ivan Cosensa, que relembram os tempos de O Pasquim e do Jornal do Brasil, veículos onde foram publicadas a maior parte das obras do artista.

A série, uma obra de Marisa Furtado e Paulo Serran, apresentará também documentários sobre Will Eisner, Jerry Robinson e Ziraldo.

Informações da TV Brasil

Herivelto Martins

Nasceu no dia 30 de janeiro de 1912, no Distrito de Rodeio (atualmente Município de Engenheiro Paulo de Frontin), no Rio de Janeiro. Ainda menino, trabalhou na confeitaria do pai, Félix Bueno Martins, foi caixa de um botequim e contabilista numa loja de móveis. Aos 18 anos, mudou-se com a família para São Paulo. Não se adaptou e mudou para o Rio de Janeiro. Foi morar em uma pensão com seu irmão Hedelacy e mais seis pessoas.

Com o irmão, aprendeu o ofício de barbeiro e acabou indo parar em uma barbearia no Morro de São Carlos, onde conheceu o compositor José Luiz Costa, o Príncipe Pretinho, que o apresentou a seu futuro parceiro, J. B. de Carvalho, do conjunto Tupy. Herivelto mostrou a J.B. sua primeira composição, Da cor do meu violão, e este a gravou, em 1932.

Entrou para o conjunto de J.B. e conheceu Francisco Sena, com quem formaria a dupla Preto e Branco. Ainda em 1932, conheceu sua primeira mulher, com quem teve dois filhos: Hélcio e Hélio. Em 1935, Sena faleceu e Herivelto formou nova dupla com Nilo Chagas. No ano seguinte, o casamento terminou e Herivelto conheceu Dalva de Oliveira. Em 1937 nasceu Pery Ribeiro, que viria a ser cantor, e em 1940, Ubiratã.

No fim da década de 1940, acaba o casamento e o Trio de Ouro, formado pelo casal e Nilo Chagas. O Trio deixou 22 discos e seis aparições em filmes nacionais. Inspirado pela dor da separação, Herivelto escreve belas canções retratando seu momento. Começa o duelo musical com Dalva. De um lado, Herivelto e David Nasser; de outro, Dalva, com letras e músicas de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Mário Rossi, J. Piedade e Marino Pinto.

Tudo começou com o samba Cabelos Brancos, respondido por Dalva com Tudo acabado. Seguiram-se Caminhemos, Quarto Vazio, Caminho Certo e Segredo, de Herivelto; rebatidas por Calúnia, Errei sim e Mentira de Amor, cantadas por Dalva.

Em 1950, Herivelto formou um novo trio. Seriam várias formações até a década de 80. Em 1952, casou-se com a terceira esposa com quem teve três filhos.

Herivelto Martins faleceu aos 80 anos, em setembro de 1992, em consequência de uma embolia pulmonar.

Informações de Anna Vachianno,
curadora da exposição As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins

Veja Herivelto Martins cantando Ave-Maria no Morro com seu filho Pery Ribeiro.



Dalva de Oliveira

A Rainha da Voz nasceu Vicentina Paula de Oliveira, em 5 de maio de 1917, em Rio Claro, estado de São Paulo. Foi a primeira das quatro filhas do casal Alice do Espírito Santo e Mário Carioca. A família vivia de forma modesta, mas feliz. Após a morte do pai, a vida foi bem mais dura. Vicentina passou por um orfanato, foi arrumadeira, babá, costureira e ajudante de cozinha, até conseguir um emprego de faxineira em uma escola de dança, onde havia um piano. Cantando e improvisando após o expediente, conseguiu integrar um grupo musical ao ser ouvida por um professor. O grupo durou pouco e a jovem procurou fazer um teste na Rádio Mineira, em Belo Horizonte. Foi aprovada e, por sugestão do maestro pianista Antônio Zovetti, adotou o nome Dalva de Oliveira.

A carreira profissional começou por volta de 1934, na Rádio Ipanema, no Rio de Janeiro. Na mesma época, começou a trabalhar no Teatro Cancela, onde conheceu Herivelto Martins, que cantava na dupla Preto e Branco. Logo passou a cantar com eles.

Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco, como passaram a se chamar, foram batizados como Trio de Ouro no programa de Cesar Ladeira, na Rádio Mayrink Veiga. Passaram pelos rádios Tupi, Clube e pelo Cassino da Urca. No final dos anos 30, Dalva e Herivelto já estavam juntos.

Em 1947, o fim do casamento foi manchete em todos os jornais e provocou uma polêmica musical jamais acontecida no Brasil. Em 1949, o Trio de Ouro era desfeito e Dalva partia para carreira solo. Em 1950, Dalva e Herivelto passariam a discutir e se acusar mutuamente pelo fracasso do casamento através de músicas: Tudo acabado, Que será e Errei sim. Mais sucesso na carreira profissional, mais problemas na vida pessoal.

Em agosto de 1965, Dalva sofre um acidente. Recupera-se, volta a cantar, mas os tempos eram outros. Ela se afasta para retornar somente em 1970 e estourar com Bandeira branca, marcha-rancho de Max Nunes e Laércio Alves. Em 1972, morre de uma hemorragia no esôfago.

Informações de Anna Vachianno, curadora da
exposição As estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins

Abaixo, Dalva interpreta Estrela do Mar (vídeo) e Que será (áudio)